Vulnerabilidades da urna

Apesar de ser considerado seguro, alguns especialistas em criptografia apontam que o modelo de nossas urnas eletrônicas tem uma falha de projeto que poderia ser explorada por hackers para manipular os resultados. Diego Aranha, pesquisador de segurança computacional e criptografia da Universidade de Campinas, participou de testes de vulnerabilidade com o equipamento a convite do TSE em 2017.

Após o pedido de inconstitucionalidade feito pela PGR solicitando a revogação da impressão dos comprovantes, ele relatou em seu Twitter todas as vulnerabilidades da urna. Segundo ele, a equipe responsável por testar o equipamento conseguiu injetar programas estranhos para alterar o software de votação, o que na prática “permite fazer absolutamente qualquer coisa [dentro da urna], é apenas uma questão de tempo e dedicação”. Para Aranha, “os resultados dos testes mostram, portanto, que comprovante físico e anônimo do voto é mais importante do que nunca”.

As tentativas de hackear o equipamento realizadas pela equipe do pesquisador, no entanto, levaram alguns dias para terem sucesso – tempo que dificilmente alguém terá em condições normais de operação. Em meio à polêmica provocada pelo pedido da PGR de suspender a impressão do voto, o presidente do TSE, o ministro Gilmar Mendes, voltou a defender esta semana o funcionamento dos equipamentos de votação.

Para ele, o sistema é "um case de sucesso", e que a maior vulnerabilidade da urna era "a questão da identificação", solucionada com a biometria do eleitor. A polêmica envolvendo a urna eletrônica começou após a derrota de Aécio Neves, candidato tucano nas eleições de 2014.

Ele perdeu a vaga no Planalto por uma pequena margem - Dilma Rousseff recebeu 51,64% dos votos, ante 48,36% do senador. O partido então pediu uma auditoria nas urnas, e posteriormente afirmou não ter encontrado indícios de fraude.

 

Fonte: El País

Voto impresso, o retorno ao passado que opõe Bolsonaro e a Procuradoria Geral

Segundo colocado nas pesquisas, deputado reclama de possibilidade de fraude sem o voto em papel

Um “retorno ao passado” colocou em rota de colisão a Procuradoria-Geral da República e o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), segundo colocado nas pesquisas de opinião para as eleições presidenciais. Saudoso dos anos de chumbo da ditadura militar, o capitão do Exército conseguiu emplacar outro “retrocesso” durante a mini-reforma política aprovada em 2015. Foi dele o artigo que previa a obrigatoriedade do voto impresso — desde 1996 o Brasil utiliza predominantemente urnas eletrônicas. À época, o Tribunal Superior Eleitoral chiou e disse que a adaptação do equipamento para que emitisse um comprovante impresso custaria aos cofres públicos mais de 1,8 bilhão de reais. Em época de crise econômica, o Tribunal determinou que nestas eleições apenas 5% dos dispositivos de votação tenham a impressora — aproximadamente 30.000 urnas. Mas, nesta segunda-feira, a PGR declarou que o artigo proposto por Bolsonaro e aprovado no Legislativo contraria a Constituição, e pediu que fosse declarado nulo.

Antes mesmo do início da campanha, o capitão do Exército já colocou o resultado da eleição em xeque: ele reagiu à Ação Direta de Inconstitucionalidade da PGR rapidamente atacando a procuradoria e o TSE. Nesta quarta-feira usou sua conta no Twitter para dizer que “essa ação, no mínimo suspeita entre TSE e MP para derrubar o voto impresso, fará com que o Sistema eleja o futuro presidente do Brasil em outubro. O Datafolha, manipulando os números, dará credibilidade à fraude”, escreveu.

Pelo texto aprovado pela Câmara, cada voto deverá ser impresso de forma automática pela urna eletrônica e, após a conferência do eleitor, será depositado dentro de uma urna lacrada, não havendo contato manual com o comprovante. O documento da PGR assinado pela procuradora-geral, Raquel Dodge, alega que essa medida “não garante o anonimato e a preservação do sigilo do voto”, previstos na Constituição. “A norma [aprovada pelo Legislativo] não explicita quais dados estarão contidos na versão impressa do voto, o que abre demasiadas perspectivas de risco quanto à identificação pessoal do eleitor, com prejuízo à inviolabilidade do voto secreto”.

Dodge destacou também que uma parcela dos eleitores estaria mais sujeita à violação de seu sigilo: “Há ainda que se considerar a situação das pessoas com deficiência visual e as analfabetas, que não terão condições de conferir o voto impresso sem o auxílio de terceiros, o que, mais uma vez, importará quebra do sigilo de voto”. Isso porque um dos artigos da lei aprovada diz que “o processo de votação não será concluído até que o eleitor confirme a correspondência entre o teor de seu voto e o registro impresso e exibido pela urna eletrônica”.

A procuradora-geral também destaca que, caso haja algum tipo de falha na impressão do voto pela urna eletrônica ou o travamento da mesma, “estas situações demandarão intervenção humana para a sua solução, com a iniludível exposição dos votos já registrados e daquele emanado pelo cidadão que se encontra na cabine de votação”.

Dodge lembrou ainda em seu pedido que, em 2002, o TSE realizou um teste com o voto físico em todas as seções eleitorais do Distrito Federal e de Sergipe, que tiveram urnas com impressão de comprovante. Um relatório do Tribunal à épocaconcluiu que a experiência “demonstrou vários inconvenientes”, “nada agregou em termos de segurança ou transparência” e criou “mais problemas”. O TSE também apontou que nas seções com voto impresso foram observados filas maiores e um maior porcentual de urnas com defeito.

Atualmente o processo licitatório para a elaboração das urnas eletrônicas com impressora já está em andamento, com alguns modelos em fase de testes, por isso Dodge pede pressa para que a medida seja suspensa. “É imperiosa a concessão de medida cautelar para suspender a eficácia da norma legal, inclusive para que sejam sustados os procedimentos administrativos em curso para a sua implementação”, diz.

 

Fonte: El País

Lula: Não tenho cara de demônio, mas me respeitem como se fosse

Ex-presidente elevou o tom contra a Lava Jato durante ato em defesa das universidades públicas, em Brasília

Condenado a 9 anos e 6 meses de prisão em primeira instância, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta segunda-feira (9) que está “lascado”, mas afirmou esperar “desculpas” do juiz Sérgio Moro. Em um ato em defesa das universidades públicas, em Brasília, Lula subiu o tom contra a Lava Jato e desafiou seus acusadores a ver o que acontecerá no País se o impedirem de ser candidato ao Palácio do Planalto em 2018.

“Eu sei que eu estou lascado. Todo dia tem um processo. Não quero nem que o Moro me absolva, só quero que peça desculpas”, declarou o ex-presidente. Muito aplaudido pela plateia, que o chamava de “guerreiro do povo brasileiro”, Lula prosseguiu em sua ofensiva. “Eles agem todo santo dia para me tirar da disputa. Obviamente que eles podem. Juntam meia dúzia de juiz e votam. Não me deixam ser candidato e pronto. Se eles acham que, me tirando da disputa, está resolvido o problema deles, façam e vamos ver o que acontece no País. Se acham que não vou ter força para ser cabo eleitoral, testem.”

Em quase quarenta minutos de discurso, Lula ressuscitou a narrativa do “nós contra eles”, afirmou não poder mais aceitar tantas “mentiras” e disse não ter medo da Lava Jato. Argumentou ainda que, se o objetivo da Lava Jato é não deixá-lo ser candidato, os investigadores não deveriam deixar “o povo sofrer” por causa disso. Apesar de condenado no caso do tríplex do Guarujá (SP) e também ser réu em outras seis ações penais, o ex-presidente lidera todas as pesquisas de intenção de voto.

Acompanhado do ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad – que já chegou a ser apontado como plano B do PT na eleição de 2018 -, Lula provocou o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) e disse que os petistas devem fazer o oposto do que ele faz. “Se o Bolsonaro agrada ao mercado, nós do PT temos de desagradar ao mercado”, insistiu o ex-presidente. Pré-candidato à Presidência, Bolsonaro está em segundo lugar nas pesquisas, empatado com a ex-senadora Marina Silva (Rede).

Fonte: Veja

Uma semana, 1.195 mortes: o retrato da violência no Brasil

Monitor da violência

G1 conjuntamente com o Núcleo da Violência da USP e o Fórum Brasileiro da Segurança Pública, realizaram um monitoramento da violência em todo o território nacional, no período de 21 a 27 de agosto de 2017, totalizando 1195 mortes. São crimes que, na maioria das vezes, ficam esquecidos – casos de homicídios, latrocínios, feminicídios, mortes por intervenção policial e suicídios espalhados pelo Brasil. Veja o ranking de cada estado da federação:

1º Ceará 128
2° Pernambuco  106
3º Pará  102
4º Bahia  99
5º São Paulo  86
6º Rio de Janeiro  84
7º Rio Grande do Sul  84
8º Paraná  68
9° Rio Grande do Norte  65
10º Minas Gerais  63
11º Goiás  52
12º Alagoas  38
13º Paraíba  32
14º Espírito Santo  28
15º Sergipe  26
16° Santa Catarina  24
17º Amazonas  20
18° Maranhão  13
19º Mato Grosso  13
20º Piauí  12
21º Acre  10
22° Mato Grosso do Sul  09
23º Rondônia  09
24º Tocantins  09
25º Amapá  05
26º Distrito Federal  05
27º Roraima  02

Fonte:G1

Exposição cancelada pelo Santander, no RS

Cancelada pelo Santander Cultural após críticas de movimentos religiosos e do Movimento Brasil Livre (MBL), a exposição “Queermuseu – cartografias da diferença na arte da brasileira” reuniu obras de 85 artistas, incluindo os mundialmente conhecidos Alfredo Volpi e Cândido Portinari, no museu de Porto Alegre.

Com curadoria de Gaudêncio Fidelis, que foi curador da Bienal do Mercosul de 2015, a exposição tinha como mote a diversidade e as questões LGBT, aos moldes de exposições estrangeiras como a Queer British Art (1861-1967), em Londres, na Inglaterra, e a Hide/Seek: Difference and Desire in American Portraiture, em Washington, nos Estados Unidos.

Porém a mostra foi cancelada no último domingo, um mês antes do previsto, depois que os movimentos apontaram que a exposição fazia apologia à pedofilia e zoofilia. Os movimentos também fizeram campanhas virtuais para que os correntistas do Banco Santander, que mantém o centro, cancelassem suas contas como forma de boicote.

Uma das obras que causou revolta foi a que faz referência ao meme “Criança Viada”, conhecido e apreciado pela comunidade LGBT (imagem abaixo). ” Isso aqui é praticamente prostituição infantil”, diz um simpatizante dos movimentos contra a exposição em um vídeo que circula nas redes sociais. Porém, o significado atribuído pela curadoria é diferente. A obra “Travesti da lambada e deusa das águas”, de 2013, de autoria de Bia Leite, “desmascara o preconceito e a homofobia através de uma iconografia da cultura pop”, diz o curador no texto explicativo do catálogo da mostra.


“Há pouco tinha crianças olhando essa ‘arte’ escarnecendo a Cristo”, disse o blogueiro Felipe Diehl, durante o vídeo em que ele circula pela exposição e critica as obras acompanhado de outro blogueiro, Rafinha BK, do MBL de Porto Alegre. “Olha o Satanás no meio”, diz Rafinha sobre outra obra. No vídeo, os blogueiros censuram as imagens com um “borrão”. A obra “Cruzando Jesus Cristo com Deusa Shiva”, de 1996, de Fernando Baril, (abaixo) retrata “as inúmeras pernas e braços da figura que reverberam pela superfície da pintura, exibindo objetos de toda ordem nas mãos e pés, muitos deles relacionados à história da arte e à cultura pop”, explica Fidelis no catálogo.

Outras obras retratavam a prática sexual como a “Cena de Interior II”, de Adriana Varejão (imagem abaixo). No caso desta obra, apenas uma parte dela está sendo divulgada isoladamente como apologia à zoofilia. “Ela mostra o avanço da pintura brasileira como manifestação crítica diante do processo de colonização do país. Trata-se de uma pintura que cobre um considerável território an confluência entre sexualidade e história, revirando (literalmente) as hierarquias de raça, influências, miscigenação”, explica o curador Gaudêncio Fidelis em texto do catálogo da obra. “Só tem putaria, só tem sacanagem” , disse o blogueiro blogueiro Felipe Diehl, no seu vídeo, queixando-se que as obras são “reconhecidas como arte”.

O prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Jr. (PSDB) comentou o fechamento da exposição. Na sua página do Facebook, Marchezan diz que a mostra tinha “imagens de zoofilia e pedofilia”. Horas mais tarde, Marchezan apagou sua postagem. Algumas horas depois, o prefeito apagou a postagem. O prefeito, que é apoiado pelo MBL, obteve liminar na Justiça para que os protestos contra sua administração fossem proibidos.