Arrependei-vos!

É chegado o reino dos céus. Esse chamado de Jesus continua ecoando hoje! O caminho do
arrependimento e da confissão de pecados ainda é o único que levará a redenção de um povo

Por: Bp. Nilson Cezar e Grace Shelem

O contexto histórico do início da era messiânica foi dramático, houve uma expectativa a respeito do cumprimento da profecia de Isaías 61.1-2. Israel esperava a sua restauração definitiva com a chegada do Messias.

O povo que andava em trevas, viu uma grande luz, e sobre os que habitavam na região da sombra da morte resplandeceu a luz.” (Is 9.2).

O texto de Lucas 4.16-22 registra o exato momento em que Jesus se levanta e reivindica ser o Messias prometido, o que de pronto é questionado pelos judeus. “Desde então, começou Jesus pregar e a dizer: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus” (Mt 4.17).

O povo que estava acostumado com guerras, demandas e leis, agora ouve Jesus falar sobre arrependimento. Ou seja, de uma contrição, uma metanóia, mudança de mente, rota e caráter. Uma consciência de que o nosso ponto de vista está errado e que existe uma forma de conversão para Deus e o seu Reino.

O porquê do arrependimento nacional

Deus promete, através de Jeremias, que o cativeiro de Israel duraria 70 anos e que, após isso, eles retornariam para reconstruir o templo e a cidade de Jerusalém. O rei Ciro da Pérsia, governante da Babilônia, é despertado pela profecia de Isaías e permite que os judeus voltem. Porém, o que Zorobabel e Esdras encontram é chocante - uma nação afundada na decadência moral, na idolatria, no sangue derramado e apostasia (pecados que ferem a terra).

Deus levanta Ageu e Zacarias para falar sobre a necessidade de arrependimento e confissão de pecados da nação, pois essa seria a única forma de redenção daquele povo (Ed 5.1-2). Hoje, essa reforma ainda é o único caminho para restauração (retornar a forma original) de um país.

Única chance

Vivemos em um momento que, pela gravidade das nossas transgressões, só um arrependimento profundo gerará de novo o temor, a obediência e a submissão. O descontrole, a corrupção, a desigualdade social, o desamor, as mudanças climáticas, são reflexos de um povo o qual a “iniquidade se multiplicou sobre suas cabeças” (Ed 9.6).
Voltar à fidelidade, a santidade e justiça é nossa única chance. Essa aliança estabelece o “sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido” (I Pe 2.9 ). 

Arrependimento genuíno começa com os líderes

“Confissão e arrependimento são fundamentais para quem quer chegar há algum lugar na vida espiritual” – Pr. José Rodrigues.

Em todas as épocas, Jesus sempre levanta uma geração que não se conforma com pecados que geram a degradação da sociedade. Esdras (10. 1-17) relata que um arrependimento a nível nacional começa nos líderes sacerdotais. Eles são os primeiros a se prostrarem, reconhecendo seus erros. Isso destrava os princípios da verdade, fidelidade e integridade, pois são os “exemplos” da nação.

A confissão verdadeira

Temos um grande sumo sacerdote, Jesus, filho de Deus, que mesmo não tendo pecado, buscou o perdão de Deus para nós (Hb 7.27). O perdão pressupõe culpa e é um derivado da palavra grega amnesia, ou seja, esquecer a ofensa sem imputar culpa. Por isso devemos ficar firmes na confissão, pois ela é a admissão do pecado e a busca do perdão. Cheguemos com confiança, sem reservas, mas com franqueza, pois a misericórdia e a graça nos aguardam.

Salmos 32 mostra que Davi ficou doente por não confessar os seus pecados. Eles causam
separação entre nós e Deus. Enquanto não confessarmos e acertamos o feito, nossas orações
serão inúteis, não funcionarão. Criamos um bloqueio no mundo espiritual
” – Pr. José Rodrigues.

Integridade

Uma das sete colunas do caráter de Cristo é a integridade. Novamente o sumo sacerdote, Jesus,
é a referência de como devemos ser. O outro referencial de integridade é Jó:

Observaste tu meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro,
e reto, temente a Deus, e desviando do mal
” (Jó 1.8).

Satanás quer nos fazer acreditar que não valemos a pena. Deus permite aquela prova para estabelecer atributos incorruptíveis no caráter, que não nos permitem quebrar alianças, seja com Deus ou com os homens.
Jó é questionado por sua mulher “... Ainda reténs tua integridade?” (Jó 2.9). Essa pergunta é repetida incontáveis vezes em nossa consciência principalmente nas provações, nos intempéries da vida.
Parece fácil negociar nossos valores éticos e morais. Isso dificulta tudo, pois inevitavelmente nos tornamos insensíveis e incrédulos à voz de Deus. “Pois quê se alguns foram incrédulos, a sua incredulidade aniquilará a fidelidade de Deus De maneira nenhuma! Sempre seja Deus verdadeiro e todo homem mentiroso” (Rm 3.3-4).
Por isso, uma das armas que temos é a confissão, admitindo nossos erros e buscando a favor do Pai pelo sacrifício do filho, Ele se compadece das nossas fraquezas.

A dissimulação impede a confissão

A dissimulação passou ser a performance mais usada, um desempenho teatral para fingir, que mina a verdade apresentada pela palavra de Deus. A igreja de Corinto foi repreendida e exortada a tirar esse “fermento velho” da dissimulação. “Pelo que façamos festa, não com o fermento velho, nem com fermento da maldade e da malícia, mas com os ázimos da sinceridade e da verdade” (I Co 5.8).
A palavra grega aqui é eilikrineia (sinceridade) que literalmente significa “julgado pela luz do sol”. No Oriente médio existiam muitas feiras de cerâmicas e os comerciantes geralmente negociavam em lugares com pouca iluminação, porque aquelas peças trincadas eram retocadas com cera para enganar os compradores. Então, esses compradores pegavam as peças e as punham contra o sol para descobrir a trapaça.
A insinceridade é de alguém que não quer declarar culpa. Os dois exemplos usados, o de Jesus e Jó provam que não havia culpa neles. Mesmo assim sofrem o dano, acreditaram na misericórdia e graça de Deus.
Que nós trilhemos esse caminho, seremos bem aventurados porque sofremos a tentação e vencemos, então receberemos a coroa da vida, a qual o Senhor tem prometido aos que o amam (Tg 1.12).
Esse é o nosso momento, precisamos ser alinhados aqui agora. Essa promessa de Tiago não é para o futuro, mas para o presente. Uma plenitude de felicidade, um estado atual que precisamos viver, sem reservas, com inteireza de coração.

Joelho no chão e boca no pó

Por isso colocaremos nossa boca no pó, ainda há esperança (Lm 3.29). O delito de Israel (Brasil) demonstra austeridade da rebelião, imoralidade, idolatria e corrupção generalizada, que só podem ser redimidas com o reconhecimento de quem é Deus.
Suas misericórdias são a causa de não sermos consumidos, a sua fidelidade se renova a cada manhã e a sua bondade são para aqueles que O buscam (Lm 3.20-26).
É possível, Jesus nos garantiu isso, portanto retenhamos firmemente a confissão e sejamos perdoados de fato em nome de Jesus.

O arrependimento significa que eu confessei e mudei de atitude. Se não fizermos isso, o candeeiro (Espírito Santo) pode ser removido de nós. Sofreremos uma morte espiritual, jejuaremos e continuaremos mais secos do que antes. Nenhuma atitude substitui a confissão. O pecado confessado está purificado, mas os que não foram, um dia virão a luz para julgamento” – Pr. José Rodrigues.

Pecados da nação que precisam ser confessados:

Imoralidade sexual: carnaval, homossexualidade, transexualismo, prostituição, ideologia de gênero. “Temos semeado na carne” como está escrito em Gálatas, 6. 7-10, e o resultado é: “temos colhido corrupção”.

Corrupção: A corrupção tem crescido tanto na nação brasileira que se tornou um “estilo de vida”, e, “levar vantagem” passou ser uma regra nas obras públicas, licitações, nos poderes legislativo, executivo e judiciário.

Feitiçaria e Ocultismo: Como Igreja, estamos desapercebidos que os cultos da feitiçaria e ocultismo continuam sendo praticados. Diferentes deuses são invocados e autoridades divulgam e popularizam esses costumes.

Criminalidade - O crime organizado está debaixo do comando direto de Satanás. Com mais de 50 mil mortes por ano, o Brasil caiu 11 posições no ranking dos países mais pacíficos do mundo, e ocupa a 103ª posição de um total de 162 nações.

Idolatria - Arrependimento pela idolatria da rainha dos céus. A ela foi oferecida a nação, na época da descoberta e ainda hoje é cultuada, através de Aparecida.

Drogas - É tão triste a situação das drogas no país. Estamos perdendo milhares de vidas diariamente pelo consumo livre e exacerbado das drogas, a ponto de “cracolândias” se tornarem algo comum em quase todas as cidades.